Trump em busca de reeleição

Eleito em 2016, Donald Trump se prepara para encarar o clímax de sua popularidade na tentativa de sua reeleição

Mísseis disparados por drones americanos deram inicio a campanha de reeleição de Donald Trump. Era o terceiro dia de janeiro e o mundo já temia uma guerra. A vitima do ataque foi o general Qasem Soleimani, do Irã. O militar assassinado era a segunda pessoa mais poderosa do País. Os iranianos prometeram uma retaliação, mas acabaram derrubando um avião comercial. As tensões baixaram e Trump saiu com a vitória.

Um mês depois, a tensão mudou, mas o resultado não. O processo de impeachment, aberto em setembro de 2019 contra o presidente dos Estados Unidos sob as acusações de obstrução de justiça e abuso de poderfoi encerrado, e ele, absolvido. A nova vitória trouxe um ar de calmaria para uma eleição que já parecia ganha já que o candidato da oposição, Joe Biden, não representava uma ameaça. Os verdadeiros adversários de Trump começariam a aparecer no final de fevereiro quando foi confirmada a primeira morte nos Estados Unidos por covid-19.

Desde então, o número já passou de 170 mil óbitos, sempre com o presidente alegando que tem o controle da situação. Em maio foi a vez de outro vírus, chamado racismo, ganhar as telas do mundo. As imagens de George Floyd sendo asfixiado por policiais foram respondidas com manifestações antiracistas no mundo. Com os adversários apresentados, Trump caiu nas pesquisas. Mas isso não diminuiu o ímpeto do presidente em atrair a atenção para si. Seja acusando a China de espionagem. Ou criticando atletas profissionais por se ajoelharem durante o hino americano. Ou seja intermediando um acordo de paz histórico entre Israel e Emirados Árabes. Para ele, não importa como, o importante é sempre aparecer.

Comercial da rede de Pizzarias Domino’s. O nome e o rosto de Trump está em prédios e jogos de tabuleiro

Darth Vadder e seu twitter

Nascido em Nova Iorque em 1946, Donald John Trump é um empresário que começou no ramo da construção civil. Seu pai Fred Trump, ganhou notoriedade por obras nos bairros do Brooklin e Queens. Ao assumir o controle dos negócios da família, Donald investiu em imóveis majestosos como arranha céus, resorts e cassinos. Logo se tronou uma celebridade do mundo dos negócios, fazendo participações na TV e em filmes. Seu nome e rosto estampavam de fachadas de prédios a jogos de tabuleiro.

Sua fama ganharia novos ares com a estréia do programa “o aprendiz” em 2004. Através do bordão “você está demitido” ele se tornou uma das maiores figuras da televisão americana e sinônimo de sucesso. Mas apenas com a criação de uma conta no Twitter é que Trump conseguiu ter noção do seu alcance. Na rede social o contato com o público era direto, e ele amado. Rapidamente a imagem do homem poderoso e bem sucedido ganhou incentivadores para que Trump migrasse para a política. Na verdade ele já flertava com ela a algum tempo.

Ele ameaçou concorrer à presidência pelo partido reformista no ano 2000, mas se retirou da disputa na última hora. No ano seguinte, se filiou ao partido democrata onde ficou até 2009. Em 2015 entrou na disputa pela vaga do partido republicano. Inicialmente tratado como piada, Trump daria a última risada ao vencer a eleição no ano seguinte e se tornar o 45º presidente dos Estados Unidos.

Desde que tomou posse em 2016, Trump já ameaçou explodir a  Coréia do Norte. Saiu de tratados internacionais sobre meio ambiente e segue com a promessa de construir um muro que separe os Estados Unidos do México. Seu último alvo são os correios americanos e sua recusa em dizer se aceitará uma possível derrota em novembro. O medo é sua principal ferramenta, e Donald Trump aparenta se sentir confortável desta maneira. Misturando no cargo mais poderoso do mundo uma personalidade que lembra o magnata do reality show ao falar. Misturado com o vilão do Star Wars na forma de ameaçar e da de uma criança na de Twittar.

Donald Trump confronta repórter em entrevista coletiva. A principal estratégia do presidente é a intimidação.

O desfecho do personagem

Sessenta anos depois a pauta de fraude eleitoral volta a cercar as eleições americanas. O resultado das eleições presidenciais de 1960 é até hoje controverso, mas aceito em razão de quem saiu vitorioso naquele ano. John Fitzgerald Kennedy, candidato democrata e uma das maiores figuras do século XX, foi eleito de maneira fraudulenta ao barganhar acordos com o crime organizado. Seu charme, carisma e principalmente sua morte em 1963, ajudaram a amenizar seu passado e lhe transformar em um mártir.

Cobrindo as convenções democratas daquele ano, o escritor americano Norman Mailer disse que “boa parte da culpa sobre a insanidade da América pesava sobre os repórteres”.Para o autor eles são os responsáveis pela criação dos heróis e vilões nacionais. Para a midia, Kennedy era o salvador de uma geração. Apresentava bons costumes. Vinha de uma família rica e bem sucedida. E defendia o patriotismo acima de tudo com frases celebres como “não pergunte o que seu país pode fazer por você, mas sim o que você pode fazer pelo seu país”. Era uma estrela Hollywoodiana na presidência, amado pela sociedade que aceitou que um acordo com a máfia para ganhar as eleições não prejudicaria ninguém.

Em 2020, ambos os candidatos já apontaram possíveis problemas na eleição de novembro. Em razão da pandemia, a votação, que não é obrigatória nos Estados Unidos, poderá ocorrer através dos correios. Por isso, Trump se recusou a dizer em uma entrevista se aceitaria o resultado da eleição, além de comprar briga com os serviços de correspondência. Do outro lado, Joe Biden alerta para a possibilidade de interferência externa. Em 2016 a Russia foi acusada de ter interferido no resultado da eleição, mas nada foi comprovado.

Distante da época de Kennedy, a mídia não sabe quem é o herói, mas diz que Donald Trump é o vilão. Com ou sem interferência, as eleições deste ano representam o seu legado no mundo e na história. Em 2020 Trump disputa todos os dias com o covid-19 a manchete dos noticiários. Mesmo tratando a mídia como inimiga do povo é um produto criado pelos reportes e pela sociedade americana. O que sua permanência na casa branca por mais quatro anos pode representar nem mesmo o maior gênio literário pode imaginar. Como Norman Mailer afirma: Shakespeare é pequeno perto da América.

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