Por que “The Last Dance” é uma boa série?

A série The Last Dance tem como protagonista Michael Jordan em sua última temporada com o Chicago Bulls

Os elementos de uma história são como ingredientes culinários: quanto mais ricos e diversificados melhor.  E, no mundo do esporte, poucos atletas tem uma história tão boa quanto a de Michael Jordan. A prova disso é que atualmente, no mundo dos esportes, não se fala em outra coisa além da série “The Last Dance”, que no Brasil ganhou o nome de “Arremesso Final”. A série, da ESPN e da Netflix, conta a carreira do jogador de basquete Michael Jordan e estava inicialmente marcada para estrear em junho.

Em razão da pandemia de covid-19 ela foi antecipada e se tornou o principal entretenimento esportivo em meio à quarentena. Dividida em dez episódios, “The Last Dance” tem como fio condutor a temporada de 1998 do Chicago Bulls, a última de Jordan com a equipe. Em paralelo, a série faz uma linha do tempo de toda a carreira do jogador. Uma história completa, que dispensa qualquer conhecimento sobre basquete. Na verdade o basquete é algo acessório na série, que possui todos os ingredientes para uma boa série: Personagens, roteiro, drama e trilha sonora.

Os personagens de uma trama

A série tem como personagens secundários: Scottie Pippen, o fiel escudeiro de Jordan, negligenciado pela direção e com um dos salários mais baixos da liga. Dennis Rodman, o personagem rebelde, fazia o trabalho sujo dentro da quadra e o que queria fora dela. Phill Jackson, o técnico, personagem cerebral, que controlava os conflitos do time e que também tinha problemas com a direção da equipe. Além deles, falam a favor de Jordan jornalistas e outros profissionais que trabalhavam com ele na época.

Claro, temos os vilões. O principal é Jerry Krause, gerente geral, e sua ideia de reformular a equipe. Inclusive, no inicio da temporada de 98 ele avisou que não renovaria os contratos do técnico e de alguns jogadores. Temos também os vilões secundários, como o time do Detroit Pistons e todos os desafiantes ao trono que surgem a cada novo episódio. E claro, os jornalistas que noticiavam qualquer coisa que Jordan fizesse.

O assédio da mídia só mais um dos vários elementos da trama de The Last Dance. Além desse, temos os problemas de Jordan com os companheiros, o seu vicio em jogo e apostas e sua decisão de ir jogar Beisebol. Tudo é costurado com a apresentação de um super herói, que precisa se cercar de pessoas confiáveis, especialmente depois do assassinato de seu pai. A cada episódio um novo problema que ameaça o trono do Rei. E a cada episódio, a série oferece, através da sua narrativa, um novo motivo para o espectador gostar do protagonista e querer fazer parte daquele universo.

Algo que lembra Martin Scorsece e seus filmes sobre a máfia. Neles, o foco nunca é na organização criminosa, mas sim na amizade e lealdade daqueles que fazem parte. Em quadra, Jordan era um gangster impiedoso, fora alguém que necessitava de proteção para fazer seu trabalho. Por isso os personagens secundários dão o tom de apoio/ Como os seguranças de Jordan que apostam junto com ele antes dos jogos, todo Al Capone tem mais do que um braço direito.

Propaganda do energético Gatorade nos anos 90, que tinha como slogan: seja como o Mike

Nostalgia e trilha sonora

No momento em que o coronavirus deixa o futuro nebuloso, a série nos relembra o passado. Mais precisamente os anos 90 e o ápice comercial de Michael Jordan. Os comerciais gravados com Spike Lee, os tênis Air Jordan, e claro, o filme Space Jam. Entre as lembranças da época temos os ternos que mais parecem caixotes e as celebridades como Jerry Seinfeld um jovem Leonardo Dicaprio que queriam fazer parte da Jordan mania. Tudo funciona com o espectador que responde com um “eu me lembro de ter/ver”.

Somada a nostalgia está à trilha sonora. Dominada pelo rap e hip-hop que se consolidou na década de 90, The last Dance conta com músicas de Notorious BIG, Jay Z e Outkast. Além disso ainda temos Pearl Jam e  Fatboy Slim, o que faz da série uma experiência audiovisual completa. Concluída no dia 17 de maio, a série é um material completo, bem produzido que tem como principal voz a de um protagonista avesso a entrevistas.

Entrevista de Michael Jordan para o canal ESPN em 1998 seu último ano com o time de Chicago

Obviamente, as vitórias de Jordan se destacam nos episódios ante seu comportamento extremamente competitivo. Mas essa é a primeira vez que vemos ele falar sobre o assunto de uma maneira aberta. “The Last Dance” é focada no que Michael Jordan tem a dizer e sem direito de resposta. Tudo isso enquanto ele bebe Uísque e fuma charuto em sua casa com vista do mar. Se o objetivo era mostrar quem foi Michael Jordan a uma geração que acompanha basquete, mas nunca viu o astro do Bulls jogar, o tiro foi certeiro. Mesmo que existam contradições ao longo da narrativa.

Mas quem se importa, a história é sempre contada pelos vencedores e “The Last Dance” tem tudo que uma série precisa: boa história, bom roteiro e excelentes personagens. É de fácil acesso e atinge um grande público por toda sua carga dramática da narrativa. A série serve sim como argumento na discussão sobre quem foi o melhor jogador de todos os tempos, embora essa discussão vá sempre existir. Podemos discutir tudo, menos se vale a pena assistir a carreira de Michael Jordan no formato de um filme de Hollywood.

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