Rolling Stones e a música tema da pandemia

Os Rolling Stones da esquerda para a direita: Charlie Watts, Keith Richards, Mick Jagger e Ron Wood.

A vida era tão bonita/ então todos nós fomos trancados./Me sinto como um fantasma/ vivendo em uma cidade fantasma. Neste tom nostálgico se encerra o primeiro verso de “Living in a ghost town”, a mais nova música dos Rolling Stones. Um blues, marcado pela guitarra de Keith Richards, a gaita de Mick Jagger e o coro “Woah, Woah”. Lançada no dia 23 de abril, é a primeira música inédita da banda em oito anos.

Embora tenha sido gravada em 2019, a letra da música nos remete para o atual momento de isolamento social.  “Ela não foi escrita para o que vivemos agora, mas é uma daquelas coisas estranhas que acontecem”, disse Jagger em uma entrevista recente. Os arranjos da canção repetem a fórmula apresentada no último disco dos Stones “Blue & Lonesome”, de 2016. O álbum é composto apenas de covers de artistas do blues.

O clipe oficial de “Living in a Ghost Town” mostra ruas desertas de cidades  como Londres, Osaka e Toronto. Um dia após o lançamento, era a música mais escutada na plataforma do iTunes. Em pleno 2020 os Rolling Stones ficaram na frente de artistas como Drake, Justin Bieber e Travis Scott. Nenhum deles era nascido quando a banda começou.

A última vez que os Stones alcançaram o topo de uma parada musical foi em 1978 com a música “Miss you”

Testemunhas oculares da história

Formada em 1962, não há evento histórico neste mais de meio século que os Rolling Stones não tenham testemunhado. O assassinato dos irmãos Kennedy; o festival Woodstock; a queda do muro de Berlin. Todos podem ter como trilha sonora a voz de Mick Jagger. Que parece sempre estar presente, como ele mesmo canta em “Sympathy for the devil” – “Eu estava por perto quando Jesus Cristo teve seu momento de dúvida e dor”.

A banda viu a vida e a morte de artistas como Michael Jackson, Kurt Cobain e Amy Winehouse.  Enfrentou inclusive a morte de um dos seus fundadores, Brian Jones, guitarrista, encontrado afogado na piscina de sua casa. Acompanhou o nascimento do movimento punk, dos clubs da disco music e o  hoje popular hip-hop. Além de Mick Jagger e Keith Richards, o baterista Charlie Watts também está desde o inicio da banda. Completam a banda hoje Ron Wood, na guitarra desde 1975 e Daryl Jones, baixista. Este atua como músico contratado desde a saída de Bill Wyman, membro desde a primeira formação, em 1993.  

Nascidos em meio a um furacão de fogo cruzado, como cantam em “Jumpin Jack Flash”, os Stones são Darwinistas  e se adaptam aos ambientes. Com a popularização da TV, foram uma das primeiras bandas a utilizarem o sistema pay-per-view, transmitindo um show em 1981. Com a criação do youtube, transformaram apresentações ao vivo em clipes oficiais postados no seu canal. Nos dias de hoje, não surpreende a participação deles em uma live da internet.

Apresentação da banda no One World Together at home

Idosos do grupo de risco

A tela estava separada em quatro, todas com o fundo preto. A primeira luz que se acende é a de Mick Jagger, 76 anos. Ele começa a cantar “you can’t always get what you want”. Logo em seguida a tela de Keith Richards, 76 anos se acende para fazer o backing vocal. Mais uma câmera é ligada e lá esta a guitarra de Ronnie Wood, 72 anos. Os três cantam o refrão antes que a última luz se acenda. É a de Charlie Watts, 78 anos, tocando uma bateria mentirosa formada por caixas.

Assim foi a apresentação da banda no evento One World Together at Home, no dia 19 de abril. Transmitido pela TV a cabo e serviços de streaming, o evento contou com a participação de artistas do cinema e da música. O objetivo era promover o distanciamento físico social e homenagear os profissionais de saúde que estão atuando na pandemia de Covid-19. Os quatro integrantes da banda estão no chamado grupo de risco. Mas, ao que aparenta, depois de tudo que a banda já passou, talvez devamos pensar sobre o mundo que vamos deixar para os Rolling Stones.

“Living in a ghost town”, lançada quatro dias depois da apresentação, mostra que eles estão longe de se aposentarem. Escrita em 10 minutos por Jagger em 2019, passou por poucos ajustes para retratar o atual momento do mundo. Além desta, Keith Richards afirma que a banda já possui em torno de cinco a seis músicas para um novo álbum. “Obviamente agora nos não temos mais nada para fazer além de escrever músicas, certo?”.

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