O varal de Kobe Bryant em Los Angeles

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Em cerimonia realizada em Los Angeles, o astro dos Lakers viu as sua duas camisas serem aposentadas e penduradas no ginásio em que fez história.

Olhe para cima em um ginásio de uma equipe da NBA e você verá um pouco da história deste time. Os banners dos campeonatos, marcas atingidas naquela quadra e, principalmente, os jogadores eternizados na história da franquia. 

A honraria não é concedida a todos. Números não são os principais indicadores de que a sua camiseta será pendurada no topo do ginásio, é necessário empatia e identificação com a equipe. Jogadores como Allen Iverson, Reggie Miller e Chris Webber tiveram seus números aposentados sem nunca terem conseguido um título na liga. 

Kobe Bryant é um caso único neste aspecto.  Em vinte anos na liga, Bryant dividiu sua carreira em dois períodos distintos. Ou melhor, duas camisas distintas. Nos primeiros dez anos usou o a camisa número 8. Nos dez últimos, mudou seu número para 24. Homenageado na madrugada desta terça-feira, 19 de dezembro, ele seus dois números serem aposentados. 

Para lidar com a a constante cobrança, criou um alter ego chamado de “black mamba” (referência a uma das cobras mais letais do continente africano) para justificar seu instinto assassino quando necessitava decidir alguma partidaEsta espécie em extinção, foi limitada por lesões ao fim da carreira o que contribuiu para sua decisão de parar. 

Em 2017, através de uma carta escrita ao site Players Tribune, Bryant anunciou sua aposentadoria ao final da temporada. Obviamente que ele não poderia se despedir do seu habitat natural se não fosse em grande estilo. Na cerimonia que imortalizou Kobe na história dos Lakers, Magic Johnson fez questão de se referir a Kobe como o melhor jogador da história da franquia de Los Angeles. 

O prestigio conquiistado foi fruto de uma carreira turbulenta, com polêmicas, problemas com jogadores da equipe e até mesmo pedidos de troca. Kobe entrou na liga na temporada 1996-97, em um dos melhores recrutamentos de jogadores da história, mas nem de longe se imaginava que a décima terceira escolha seria protagonista da NBA. 

Em sua primeira partida, no dia três de novembro de 1996, não marcou nenhum ponto e pegou apenas um rebote, vindo do banco de reservas. Tendo assim uma primeira apresentação e o restante da temporada discreta. Fora isso, o lider do time e grande estrela da equipe de Los Angeles  na época era Shaquille O’Neal, com quem Bryant teve muita sintonia dentro da quadra e muitos problemas fora dela.  

As credenciais como futuro astro do basquete começaram a ser apresentadas na temporada seguinte. Tendo mais minutos dentro da quadra e mais adaptado ao sistema ofensivo do time, Bryant passou a atrair atenção da mídia e dos fãs, levando ele para o jogo das estrelas de 1998. O primeiro de Kobe e o último de Michael Jordan pelos Bulls. 

Naquela altura do campeonato, as especulações sobre quem seria o sucessor de Jordan na hegemonia do basquete dominavam as conversas entre os especialistas. O jogo das estrelas seria uma boa oportunidade para se avaliar os possíveis candidatos, e o palco para este evento não poderia ser melhor – Madison Square Garden, Nova Iorque. Logo de cara, o debutante em questão tratou desafiar o melhor jogador de todos os tempos.  

Jordan levou para o pessoal, e o resultado não poderia ser outro. Além de levar seu time a vitória, Michael foi o cestinha da partida e eleito o melhor jogador daquela noite. Ah, ele estava gripado neste jogo.

Rei morto, rei posto. Após a aposentadoria de Jordan o trono da  NBA ficou vazio e muitas das estrelas presentes naquele All-Star Game disputariam este lugar.O trono da NBa estava vago depois de uma hegemonia incontestável. 

Pensando nisso, os Lakers contrataram Phill Jackson então técnico do Chicago, e aliando-se com Kobe e Shaq conquistaram o tricampeonato de 2000 a 2002. Entretanto a briga de egos entre as estrelas de Los Angeles ficou insustentável, levando a uma dissolução da dupla em 2005. 

Kobe permaneceu nos Lakers, passando a amargar uma série de frustrações e críticas.  Muitos passaram a considerar que os títulos que ganhou foram  mais em razão de O’Neal do que dele próprio.

Na busca por sua consolidação no trono do basquete mundial, Bryant trocou de número e passou a adotar o que ele mesmo chamava de “mamba mentality”. Munido de novos companheiros, Kobe e os Lakers voltaram as finais da NBA em 2008, 2009 e 2010 conquistando o título duas destas três vezes. Com estas vitórias, ele estava enfim sozinho no topo. 

Neste meio tempo, se reconciliou com Shaq durante mais um jogo das estrelas. Pontuador nato, não é demasia dizer que depois de Jordan, Bryant foi quem conduziu a NBA como maior simbolo através dos seus feitos. 

Em 20 temporadas de glorias e turbulências, chegou no seu limite. Teve seus problemas dentro e fora de quadra. Como era de se esperar, na selva que é a NBA, foi destituído do trono, dando lugar a um novo rei.  Ao receber a honraria da aposentadoria de seus números, Bryant agradeceu aos fãs e disse que faria tudo de novo se pudesse. 

A partida naquela noite ficou em segundo plano em razão da cerimonia. Os Lakers enfrentavam os atuais campeões Warriors, e desperdiçaram a última oportunidade de ganhar o jogo no tempo regular justamente aonde a “Black Mamba” costumava aparecer. Pouco antes de começar a prorrogação Kobe deixou o ginásio aplaudido de pé.

Talvez por respeito, o novo candidato a rei deixou para decidir o jogo ao melhor estilo Black Mamba depois que Kobe foi embora. Rei morto, rei posto.    

 

 

 

 

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